13 de junho de 2011


Eram amigos. Não passavam muito tempo juntos, nem se falavam tanto, mas eram amigos. Notava-se ao observar seus diálogos, nas poucas vezes em que conversavam. Eram amigos. Riam, brincavam, brigavam, se entendiam. Eles eram amigos. De repente ela se viu pensando nele o tempo todo, o dia inteiro. Começou a perceber que suas palavras fugiam de sua boca enquanto falava com ele. Tremia. Talvez se submetesse a uma taquicardia. Gaguejava. Falava rápido e se enrolava nas palavras. As mãos gelavam. Ela lia, ele se aproximava. As palavras do livro pareciam se embaralhar. Era estranho. Eram amigos. Com um lápis nas mãos, rabiscava o papel enquanto ele se aproximava. Apagava ligeiramente para que ele não notasse seu nervosismo. Ele chegou e   a cumprimentou. Ela quis responder aquele "Oi" com um "Eu estou perdidamente apaixonada por você", mas não o fez. Engoliu as palavras. Sua respiração ofegante revelaria os sintomas de uma paixão. Evitou respirar. Não disse nada. Apenas sorriu. Fingiu estar concentrada nas letras embaralhadas daquele livro. Tentou disfarçar que tiritava demasiadamente. Escondia qualquer sentimento além do que deveria sentir, a amizade. Afinal, não deveriam ser mais do que isso. Eram amigos. Apenas amigos.

2 de junho de 2011


Ele a deu um abraço apertado, não esperando de volta o mesmo abraço, mas para aquece-la do vento gelado que batia no portão. Tomou cuidado em cada toque, pois suas mãos estavam quase congeladas, fazia frio mas era apenas eles dois e o portão. O mundo desapareceu por um momento, nem os carros na rua ou o brilho mais lindo da lua, tiveram coragem de interromper.
Ela já estava em casa, a um passo do seu quarto quente com cobertas, um copo de leite e um sono protegido, mas ela não queria dar esse passo, queria continuar ali parada, envolvida naquele abraço. Ela não queria que ele fosse embora.
Ele sabia que já era tarde, que provavelmente alguém iria brigar com ele quando chegasse em casa, mas mesmo assim ele não queria ir embora.
Se o mundo esqueceu deles, ou eles esqueceram do mundo; tanto faz.
E o que foi capaz de quebrar a simetria daqueles dois corpos em um abraço perfeito, foram simples fios de cabelos, que caíram sobre o rosto dela.
Ele se afastou, e com todo cuidado, colocou o cabelo dela atrás da orelha. Eles namoraram cada um o olhar do outro. Com a respiração cada vez mais perto, a visão cada vez mais fora de foco forçando os olhos a se fecharem…
E a única coisa que teve coragem de interromper aquele silêncio enamorado foi o estalo do beijo, não apenas um beijo, mas o primeiro. 
Ele segurou a mão dela bem forte, não por medo que ela fosse embora, mas para lhe mostrar que ele estaria ali para segura-la em cada tropeço.
Ela segurou as duas mãos dele geladas, queria aquece-las, e ter uma desculpa para mais um carinho. 

Contos de uma noite fria - Gabriel em devaneios.

Ainda vou me formar e ser alguém na vida. Ainda vou ser o maior orgulho dos meus pais. Vou ter o meu próprio dinheiro e o meu carro. Vou poder gastar tudo em roupas e sapatos e ninguém vai me dizer que eu não posso. Vou encontrar alguém pra completar o meu coração. Vou para festas com as amigas e voltar amanhecendo o dia. São muitos planos pra colocar em prática, são muitas oportunidades que eu não deixarei passar. Ainda vou ser muito feliz nessa vida, disso eu tenho certeza.



Já me chamaram de grossa, de fria, disseram que sou feia, que não tenho sentimentos. Mas já me chamaram de fofa, simpática, disseram que sou linda, não só por fora, mas por dentro também. Para todas as vezes que alguém te magoar, vai ter alguém pra te mostrar o quanto você é especial.

1 de junho de 2011



Se tem uma hora que faz meu coração bater forte é quando sobe aquela janelinha dizendo que você acabou de entrar… Não tem emoção maior de quando estou me preparando pra te dizer um simples oi. Emoção melhor ainda é aquela de você responder ao meu oi, com um “tudo bom?”. E aquele assunto maravilhoso que vem do nada, eleva as batidas do meu coração de uma forma incontrolável… E quando você ri? Fico tão feliz, tão feliz porque fui eu a provocadora da ação… Só eu sei o tamanho da satisfação de ser o motivo daquela felicidade inocente. E quando acaba o assunto? A vontade de lhe dizer aquelas duas palavrinhas é incessante. O dia mais sonhado, o dia em que a gente vai e ver pessoalmente. No nosso primeiro encontro o que deverá acontecer? Acho que eu ficaria muda, só a admirar aquele momento… Mas acho também que não, creio que eu queira brincar com as suas mãos, talvez eu queira também entrelaçar meus dedos nos seus cabelos e admirar o seu sorriso provocado pelas cócegas que eu lhe fiz… E no meio disso tudo, imagino a gente se beijando, no meio da rua, ensopados por aquela chuva que caiu sobre aquela tarde em que nós resolvemos andar de bicicleta…
Elaine Noleto