2 de junho de 2011


Ele a deu um abraço apertado, não esperando de volta o mesmo abraço, mas para aquece-la do vento gelado que batia no portão. Tomou cuidado em cada toque, pois suas mãos estavam quase congeladas, fazia frio mas era apenas eles dois e o portão. O mundo desapareceu por um momento, nem os carros na rua ou o brilho mais lindo da lua, tiveram coragem de interromper.
Ela já estava em casa, a um passo do seu quarto quente com cobertas, um copo de leite e um sono protegido, mas ela não queria dar esse passo, queria continuar ali parada, envolvida naquele abraço. Ela não queria que ele fosse embora.
Ele sabia que já era tarde, que provavelmente alguém iria brigar com ele quando chegasse em casa, mas mesmo assim ele não queria ir embora.
Se o mundo esqueceu deles, ou eles esqueceram do mundo; tanto faz.
E o que foi capaz de quebrar a simetria daqueles dois corpos em um abraço perfeito, foram simples fios de cabelos, que caíram sobre o rosto dela.
Ele se afastou, e com todo cuidado, colocou o cabelo dela atrás da orelha. Eles namoraram cada um o olhar do outro. Com a respiração cada vez mais perto, a visão cada vez mais fora de foco forçando os olhos a se fecharem…
E a única coisa que teve coragem de interromper aquele silêncio enamorado foi o estalo do beijo, não apenas um beijo, mas o primeiro. 
Ele segurou a mão dela bem forte, não por medo que ela fosse embora, mas para lhe mostrar que ele estaria ali para segura-la em cada tropeço.
Ela segurou as duas mãos dele geladas, queria aquece-las, e ter uma desculpa para mais um carinho. 

Contos de uma noite fria - Gabriel em devaneios.

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