13 de junho de 2011


Eram amigos. Não passavam muito tempo juntos, nem se falavam tanto, mas eram amigos. Notava-se ao observar seus diálogos, nas poucas vezes em que conversavam. Eram amigos. Riam, brincavam, brigavam, se entendiam. Eles eram amigos. De repente ela se viu pensando nele o tempo todo, o dia inteiro. Começou a perceber que suas palavras fugiam de sua boca enquanto falava com ele. Tremia. Talvez se submetesse a uma taquicardia. Gaguejava. Falava rápido e se enrolava nas palavras. As mãos gelavam. Ela lia, ele se aproximava. As palavras do livro pareciam se embaralhar. Era estranho. Eram amigos. Com um lápis nas mãos, rabiscava o papel enquanto ele se aproximava. Apagava ligeiramente para que ele não notasse seu nervosismo. Ele chegou e   a cumprimentou. Ela quis responder aquele "Oi" com um "Eu estou perdidamente apaixonada por você", mas não o fez. Engoliu as palavras. Sua respiração ofegante revelaria os sintomas de uma paixão. Evitou respirar. Não disse nada. Apenas sorriu. Fingiu estar concentrada nas letras embaralhadas daquele livro. Tentou disfarçar que tiritava demasiadamente. Escondia qualquer sentimento além do que deveria sentir, a amizade. Afinal, não deveriam ser mais do que isso. Eram amigos. Apenas amigos.

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